A Verdade

Desde as mais remotas eras o conceito de verdade foi sempre posto como um bem a ser alcançado.  A verdade carrega o princípio de ser honesto e autêntico em suas palavras e ações.

Podemos defini-la de três modos: 

  1. Verdade factual – Objetiva, relacionada a fatos verificáveis, por exemplo: a água ferve a 100 ºC, ao nível do mar e aí também congela a 0ºC.
  2. Verdade Pessoal – Subjetiva, relacionada a experiências, sentimentos ou crenças, por exemplo: esta comida me agrada, este vinho é muito saboroso ou acredito na reencarnação do espírito.
  3. Verdade como Processo – Muitas vezes nos aproximamos da verdade através do debate, da revisão de evidências e da humildade intelectual, reconhecendo que nosso entendimento pode evoluir.

Sua importância tanto é para o indivíduo, como para os relacionamentos, como para a sociedade.

Para o Indivíduo ela está intimamente ligada a sua integridade e autenticidade. Ao vivermos de acordo com a verdade teremos coerência interna, paz de espírito e a construção de uma identidade sólida, assim vamos aprendendo, evoluindo e corrigindo rumos quando confrontamos a realidade verdadeira sobre nós mesmos, promovendo um crescimento pessoal, nós tornando livres através do seu domínio, nos capacitando a tomarmos decisões conscientes, e não baseadas em ilusões ou enganos.

Para os relacionamentos a verdade é a base em qualquer vínculo, seja amizade, amor, família ou trabalho, pois sem ela perde-se o principal laço que é a confiança; sem confiança, não há relacionamento seguro. Também permite uma comunicação mais eficaz e diálogos produtivos, mitigando os conflitos que dependem da honestidade e clareza, onde a verdade é novamente o alicerce. Ainda em relacionamentos, faltar com a verdade ou distorcê-la é uma forma de desrespeito, pois nega ao outro o direito de reagir à realidade.

Para a Sociedade a verdade também e de suma importância, destaco-a na Justiça pois com o estabelecimento da verdade ela pode garantir a atribuição da responsabilidade a quem de fato merece ser punido ou não.  Numa sociedade democrática a tomada de decisões depende de um eleitorado bem informado para votar e criar políticas públicas justas e eficazes. A partir do compartilhamento de fatos e realidade temos condições de criar um debate civilizado e como consequência a cooperação em ampla escala. A erosão da verdade pública gera o caos e a polarização, com conflitos em todo momento. Nas ciências, verifica-se em sua essência, que a busca metodológica e colaborativa entre os povos é pela verdade sobre o universo. Sem o compromisso com a honestidade intelectual e os fatos verificáveis, o progresso estagna.

Bem, vimos a importância da verdade. E sua falta ou mesmo a disseminação do falso, que males podem trazer?

O primeiro deles é o surgimento da corrupção tanto institucional quanto moral, a manipulação de grupos ou das populações controladas por narrativas falsas, a estagnação do progresso e mesmo o retrocesso, pois problemas reais não podem ser resolvidos se negados ou mascarados, temos ainda o sofrimento por decisões judiciais, médicas, financeiras ou pessoais baseadas numa mentira, trazendo sempre consequências danosas.

Religião e política podem interferir no desenvolvimento da ciência negativamente, pela ocultação da verdade.

A verdade não pede licença ou desculpas, ela simplesmente é. E muitas vezes, pode ser dura, desconfortável para alguns que a ouvem, mas é necessária para o crescimento e para a mudança que queremos ver num mundo mais justo e fraterno.

A verdade traz em seu bojo a libertação, permitindo que as pessoas se livrem de falsas ilusões e que elas enfrentem a realidade, mesmo que seja muito difícil. E é justamente essa capacidade de enfrentar a verdade que pode levar a transformações profundas.

Verdade e bondade, elas comunicam-se? A bondade é sobre ser gentil, generoso e autêntico. Imaginemos que uma mesma pessoa consiga trazer essas duas virtudes juntas. Ambas podem criar um impacto incrível e positivo nas vidas das pessoas ao nosso redor. A bondade pode trazer alegria e conforto, enquanto a verdade pode trazer confiança e respeito. Para Sócrates esses pilares eram complementados pela utilidade. Se algo não é verdadeiro, não traz bondade e ainda não é útil, não precisa comentar isso comigo.

O exercício mais difícil talvez seja exatamente isso, numa comunicação não violenta conciliar uma verdade que pode ser dura, com a brandura das palavras e principalmente fazendo com que nosso interlocutor não se sinta culpado, com medo ou envergonhado com aquilo que precisa ser comunicado. Aproveitando um ditado chinês sobre a Educação, adapto também à verdade: “É uma barra de aço revestida de veludo: não machuca, mas não enverga”.

As Escolas Iniciáticas representam a dimensão mais profunda e transformadora da busca espiritual. Elas nos lembram que a verdadeira sabedoria não é um destino passivo, mas um processo ativo de autoconhecimento e transformação. A “busca pela Verdade” nessas escolas é, portanto, uma jornada de autodescoberta, onde o buscador percebe, gradualmente, que a verdade que procurava lá fora sempre esteve dentro de si, ocultada pelas camadas da ilusão e da ignorância. O iniciado não encontra a verdade; ele se torna a própria verdade que buscava.

Essa ideia de que estamos em busca constante pela Verdade, seja talvez um dos aprendizados mais importantes, fugimos da mentira, da perfídia e do erro. Assim aquele que teme essa busca ou se sente incomodado com a Verdade, deve procurar outro lugar, não está confortável junto àqueles que a buscam com seriedade. Assim como a honestidade e a gravidez, a Verdade também não existe pela metade ou em parte, o conceito de integralidade está presente nessa virtude, ela não faz concessões, porém ela é sábia e por isso mesmo sabe esperar pelo momento certo, quando a maturidade dos ouvintes permitir a sua absorção na íntegra. Como um fruto no pé, tem o momento apropriado de ser colhido e apreciado. absorção na íntegra.

Edson Herkes

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